terça-feira, 31 de julho de 2012

escrevendo na pessoa do eu

Nascemos pessoas porque não havia vaga em outras vidas. A solidão é como um sinal de nascença que só sai quando se morre. Solidão não é contagiosa e pode ser hormonal.

Corto o cabelo por não poder cortar o espírito pra ver se ele cresce mais bonito.
Minhas mãos têm 60 anos e foram escritas antes de eu nascer. É muito provável que minhas mãos me escrevam há muito tempo. Acho que já fui vivida antes de viver.

O que é a maturidade senão a vergonha de estar errado
O que é a vergonha senão lembrar mil anos depois de que estava envergonhado

A gente devia, assim que nascer, escrever todas as coisas que possivelmente gostaríamos de fazer. Se soubéssemos escrever. Se soubéssemos saber.

A cabeça não pensa junto com o pensamento. Como seria bom ter três cérebros pra terminar de pensar o que o outro cérebro ficou com preguiça.

Por que quando os outros dizem que não conseguem escrever em primeira pessoa, eu quero ser como os outros?
Tudo o que escrevo é revisitado. Sou uma síntese de todas as minhas coisas e de mim mesma.
Hoje fui na rua e vi coisas velhas. Nunca vou saber se elas é que são velhas ou se sou eu.

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